IBOPE Inteligência mostra contradições entre o que pensam e o que fazem os brasileiros

Na seção: Notícias,Opinião Pública,IBOPE InteligênciaÁrea: Análises e Índices\2008
Data de publicação: 13/03/2008 Pesquisa foi realizada em fevereiro para a agência Nova S/B e divulgada no dia 8 de março, pelo jornal O Globo

O IBOPE Inteligência realizou, em fevereiro, uma pesquisa para a agência Nova S/B com o objetivo de levantar opiniões da população sobre racismo, homossexualismo, meio ambiente, bebidas alcoólicas, direitos humanos, idosos e obediência a regras e filas. Os resultados mostram uma contradição: os brasileiros se consideram bastante progressistas e sem preconceitos, ao mesmo tempo em que projetam para a população brasileira em geral uma atitude muito preconceituosa e conservadora.

Essa tendência torna-se evidente em alguns conceitos, como por exemplo, o respeito e a valorização dos idosos. Enquanto 92% se auto-classificam positivamente (atribuindo notas de 6 a 10 para seu comportamento em relação a esse tema), 60% classificam “os brasileiros” negativamente (com notas de 1 a 5).

Segundo Silvia Cervellini, diretora de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência e responsável pela pesquisa, esse comportamento é uma tendência observada mundialmente e conhecida pelo nome de “Third person effect” (efeito da terceira pessoa). “As pessoas tendem a apontar o erro no outro, no conjunto da população, mas não assumem suas próprias atitudes”, explica a diretora.

A pesquisa mostra que cerca de 6 em cada 10 brasileiros contratariam alguém de 30 anos ao invés de alguém de 60 anos, se ambos tivessem currículos e experiências profissionais semelhantes. A grande maioria desses entrevistados (90%), porém, considera sua atitude pessoal bastante favorável (atribuindo a ela notas de 6 a 10) ao respeito e à valorização do idoso.

O cruzamento desses dados revela a incongruência entre o valor pessoal declarado e o comportamento individual previsto em uma situação concreta. Essa incongruência em relação aos idosos está presente de forma mais evidente entre homens, pessoas de 16 a 24 anos e moradores da capital.
 
Já quando o tema é o racismo, 21% declaram que se sentiriam incomodados com um casamento interacial de um familiar próximo. Entretanto, quase a totalidade desses respondentes declara que respeita e valoriza pessoas de raças diferentes da sua. A incongruência, nesse caso, alcança 18% dos brasileiros e está mais evidente em pessoas mais velhas ou com escolaridade mais baixa (até a 4ª série).

Um índice próximo a esse de incongruência é obtido quando se avalia opiniões e atitudes sobre o consumo de bebidas alcoólicas. Cerca de um quinto da população pesquisada assume beber e dirigir, sendo que  38% desses entrevistados declaram-se totalmente cuidadosos e responsáveis no consumo de álcool e 42% consideram-se razoavelmente cuidadosos e responsáveis.

A pesquisa mostra também que praticamente 1 em cada 4 brasileiros, se fossem policiais combatendo o crime organizado, repetiriam procedimentos violentos mostrados no filme Tropa de Elite. Por outro lado, 83% desses potenciais policiais violentos se colocam como bastante ou totalmente respeitosos em relação aos direitos humanos, o que corresponde a 22% de brasileiros incongruentes.  Entre eles estão principalmente os mais jovens (de 16 a 29 anos), com escolaridade e renda mais altas.
Obediência a regras e filas

De cada 4 brasileiros, 1 assumidamente fura fila. Ao mesmo tempo, 82% desses furadores de fila declarados se consideram adeptos do respeito e da obediência a regras em locais públicos. A incongruência, nesse caso, é de 20%  e está presente principalmente entre os mais jóvens, com idade entre 16 a 24 anos.

A situação mais contraditória, entr etanto, está presente em relação ao meio ambiente. De cada 10 brasileiros, praticamente 4 acreditam que cortariam uma árvore que estivesse atrapalhando a construção da casa de seus sonhos. Desses 4, 3 (84% deles) se descrevem como “ambientalistas”, ou seja, como alguém preocupado e esforçado em preservar o meio ambiente. A incongruência, nesse caso, é de 32% no total da população e aparece mais intensamente entre a população de 16 a 29 anos.

Em relação ao homossexualismo, é surpreendente o realismo na previsão da reação pessoal frente à situação de convivência com homossexuais. Um terço da população assume que mudaria de postura em relação a um amigo, caso descobrisse que ele é homossexual e menos da metade dessas pessoas (47%) se consideram adeptos de uma atitude respeitosa e natural diante do homossexualismo. 

Sobre a pesquisa

Período: A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 13 de fevereiro de 2008.
Amostra: Foram realizadas 1.400 entrevistas telefônicas com a população de 16 anos ou mais com acesso a telefone no Brasil.
Margem de erro: É de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%.

FONTE: http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=PortalIBOPE&pub=T&db=caldb&comp=IBOPE+Inteligencia&docid=A98B29DFAD7F945F8325740B00016AEF   EM 19.Mar.2008
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