A nossa geração gospel

Pr. Renato Cordeiro de Souza, pastor titular da PIB Teresópolis-RJ

Previamente contratado para ‘abençoar’ o culto, o cantor gospel chegou atrasado. Naquela altura, o dirigente pedia que abrissem a Bíblia em Efésios. Deram uma Bíblia para o cantor, e ele não sabia onde ficava Efésios. Abriu-a no Antigo Testamento e ficou procurando, procurando… Finalmente, chegou a hora dele atuar e, com todo aquele seu rico conhecimento bíblico, foi deixando seus sermõezinhos antes de entoar cada música. No final, todos saíram alegres e animados. Ele também, pois o seu cachê foi pago integralmente.

Em contrapartida, um Pastor foi convidado para pregar num congresso jovem, num feriado, em um lugar distante. Saiu de casa deixando toda a família. Ao chegar lá, notou que o templo estava lotado, com muita gente do lado de fora. É que o grupo gospel que ia cantar naquele culto estava em 1° lugar no hit parade das rádios evangélicas. O pastor pregou, e Deus o usou, havendo muitos decisões por Cristo. No final, a igreja se cercou de tanta preocupação com o grupo (autógrafos, fotos, vendas de cds e segurança), que se esqueceu do pregador, que saiu de lá sem receber sequer um ‘boa-noite’.

Houve uma época em que se ia ao culto para ouvir a voz de Deus, refletir sobre valores espirituais e deixar o Espírito Santo moldar o coração. A época passou. Hoje em dia o que vale é o entretenimento. Hoje, muitas vezes, se vai a um culto para ouvir um cantor gospel, ou para se divertir com uma banda evangélica. Muitos querem algo que mexa com os pés, não com o coração.

Como num show, as pessoas vão aos cultos, mas já não carregam Bíblias; trazem máquinas fotográficas. É mais importante tirar uma foto com o cantor gospel do que meditar na Palavra de Deus. Sentem mais alegria num cd novo autografado do que em ouvir a voz de Deus. É também muito importante saber quem vai cantar, já que a música tornou-se central no culto evangélico. Dá-se mais tempo para ela do que para a mensagem bíblica. É a parte mais apreciada e difundida. Valoriza-se mais o que se fala para Deus, do que aquilo que Deus tem a dizer. O importante não é o que se crê, mas o liberar das emoções. Os crentes já não querem pensar nem aprender, só querem se emocionar. Não poucas vezes, as pessoas estão tão cansadas após os cânticos, que sobra pouco ânimo para ouvirem o sermão. Vê-se isso na postura de muitos ‘líderes do louvor’ (título inadequado, pois na verdade eles lideram cânticos, porque louvor é todo o culto), que muitas vezes só ficam no templo enquanto estão no palco. Encerrado o período, saem. Muitos não se interessam por períodos de oração, de meditação e de submissão a Deus. São especialistas em música.

Com tudo isso, o culto é antropocêntrico. Voltado para o homem, não para Deus. Eis aí uma das gerações de crentes mais egoístas de que se tem notícia nestes últimos séculos. Não ama a Deus nem o obedece. Só quer festa e as suas bênçãos. Só que Deus não aceita o nosso cantar sem obediência à Sua Palavra.
Já entendeu porque esta geração de evangélicos cresce muito, mas não impressiona nem transforma este País ?

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Um pensamento sobre “A nossa geração gospel

  1. Este é um dos poucos pastores desta geração que estão disposto a falar a verdade, não tem o compromisso em agradar, não é um profeta de meia boca, não faz coluio.
    Parabens pastor que Deus conitue te abençoando, quero ser um imitador do senhor, como o senhor é de Cristo.

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